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olharevora

Um olhar crítico/construtivo sobre a cidade de Évora

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Cendrev cancela Bonecos de Santo Aleixo em Évora devido à "terrível" situação financeira da companhia

05.12.12 | barak

Lusa03 Dez, 2012, 18:46

O Centro Dramático de Évora (Cendrev) cancelou os espetáculos dos Bonecos de Santo Aleixo previstos para este mês devido à "terrível" situação financeira da companhia, que já implicou a suspensão dos contratos de metade dos trabalhadores.

 

"Não vamos ter [esses espetáculos] porque a situação económica do Cendrev é terrível", lamentou hoje à agência Lusa José Russo, diretor da companhia profissional de teatro alentejana.

As apresentações dos Bonecos de Santo Aleixo, marionetas típicas do Alentejo que são manipuladas pelos atores do Cendrev, estavam previstas para o Teatro Garcia de Resende, em Évora, de 11 a 16 deste mês.

Em comunicado divulgado hoje, o Centro Dramático de Évora anunciou o cancelamento destas representações, habituais na quadra natalícia, alegando dificuldades financeiras.

Segundo José Russo, a companhia está confrontada com "salários em atraso" aos trabalhadores, o que já levou seis deles - ou seja, "sensivelmente metade da estrutura fixa do Cendrev", disse - a optarem pela suspensão dos contratos de trabalho, para poderem receber o subsídio de desemprego.

"Têm responsabilidades, obrigações e necessidades iguais a qualquer trabalhador e, portanto, a única solução encontrada foi as pessoas irem para a suspensão" dos contratos, o que lhes permite que, "pelo menos, possam receber a miséria do subsídio de desemprego", afirmou.

Na base destas dificuldades, invocou o diretor, estão "as reduções brutais nos orçamentos da Cultura" por parte da Direção-Geral das Artes (DGArtes) e "as dívidas da câmara municipal, desde o segundo semestre de 2009, que ainda não foram pagas".

José Russo especificou que, segundo o contrato assinado com a DGArtes há quatro anos, o Cendrev devia receber este ano "cerca de 315 mil euros", mas "apenas recebeu 195 mil euros".

"Isto quer dizer que houve uma redução drástica, brutal", argumentou, explicando que estas verbas à criação artística por parte do Governo são as que representam "o apoio estruturante" à companhia.

Quanto às alegadas dívidas camarárias, José Russo referiu estarem "em atraso, desde 2009, cerca de 140 mil euros" ao Cendrev, pois, "só têm sido pagas `migalhas`".

"A questão da sustentação dos projetos artísticos não pode ser assacada às câmaras municipais", mas "o subsídio da câmara sempre foi muito importante", frisou.

"E, no concurso para este ano, o júri decidiu que iríamos ter 19 mil euros da câmara", só que, entretanto, "o município ficou ilibado de assumir este compromisso devido à sua situação económica, pelo que a diferença é total", disse.

Questionado sobre se 2013 poderá ditar o fim do Cendrev, o diretor excluiu tal cenário, embora não duvide que o próximo ano vá ser "terrível", caso não haja "uma inversão no caminho que o Governo está a seguir no setor da Cultura".

"Com a suspensão de contratos, não podíamos fazer agora estes espetáculos, mas também esperamos que o cancelamento seja um grito de alerta que chegue longe, para ver se alguém `mete mão` nisto", apelou.