Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

olharevora

Um olhar crítico/construtivo sobre a cidade de Évora

olharevora

Um olhar crítico/construtivo sobre a cidade de Évora

A realidade e o seu contrário | Eduardo Luciano | Diário do Sul, 7/10/2011‏

07.10.11 | barak
A realidade e o seu contrário
 

De tempos a tempo o presidente da câmara de Évora é desafiado para dar uma entrevista onde faz o balanço do seu mandato e supostamente perspectiva o futuro.

Na passada semana voltou a fazer esse exercício nas páginas deste jornal e podemos dizer que não há novidades relativamente a outros momentos parecidos.

Discurso assente no auto elogio, no apelo ao esquecimento das promessas feitas, no colocar das responsabilidades nas costas de terceiros ou da conjuntura e, como não podia deixar de ser, em mais promessas.
 
Há um concelho e uma cidade que só são vislumbráveis pelo presidente da câmara, que vê animação e dinamismo onde os munícipes vêm paralisia e estagnação. Que vê um mandato a correr às mil maravilhas onde toda a gente vê trapalhadas e desastres anunciados.
 
O contraste evidente entre os protestos pela situação a que os agentes culturais chegaram e as palavras do presidente da câmara que afirma que a cultura é um desígnio da gestão do PS, é tão evidente que muita gente decidiu divulgar a entrevista sem qualquer comentário depreciativo.
 

Depois há nesta entrevista qualquer coisa de muito estranho, como se o entrevistado não fosse o mesmo que intervém nas reuniões de câmara ou na assembleia municipal.

Nestes fóruns tem um discurso em que invariavelmente as palavras “não há dinheiro” ou “não é possível pagar”, sempre que as freguesias ou os agentes culturais e desportivos reclamam pelos valores em atraso, têm presença marcada.
 

Nesta entrevista parece que tudo corre às mil maravilhas com anúncios de projectos diversos, das docas secas ao centro comercial.

Claro que confrontado com o incumprimento de apenas duas promessas eleitorais, o Salão Central e o Parque Desportivo, atira as responsabilidades para a crise e para a banca, esquecendo-se que em plena campanha eleitoral tais projectos eram apresentados como estando em curso. Ainda lá estão as placas a anunciaram o prazo de execução e ainda existem exemplares de uma revista municipal a anunciar a sua inauguração para a primavera de… 2010.
 
A parte final da entrevista é digna de registo para memória futura. Afinal o homem que aprovou um PDM com base em projecções demográficas que quase duplicavam a população num ápice, vem agora defender o seu crescimento sustentado. Os eborenses que não fizeram os filhos necessários aos seus desígnios devem ser os responsáveis pela moderação da opinião do presidente da câmara.
 
Termina com uma ameaça séria. Ameaça apoiar quem se propuser a seguir o caminho prosseguido nos últimos dez anos. Imagino os putativos candidatos da sua área política a rezarem a todos os santos para que tal apoio não se venha a concretizar.
 
Quando acabei de ler a entrevista lembrei-me daquele ministro do Sadam Hussein que continuava a anunciar estar à beira da vitória, quando a realidade mostrava exactamente o contrário.
 
Mas eu compreendo. A realidade é por vezes tão dura, que a sobrevivência depende da nossa capacidade efabular. 
 
Eduardo Luciano