Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

olharevora

Um olhar crítico/construtivo sobre a cidade de Évora

olharevora

Um olhar crítico/construtivo sobre a cidade de Évora

A ESPIRAL CONTINUA | Eduardo Luciano | Registo/DianaFM, 6/10/2011‏

06.10.11 | barak
A espiral continua
 

Na segunda-feira, primeiro dia útil do mês de Outubro, os alunos do secundário das freguesias rurais do concelho foram confrontados com uma situação estranha.

Apesar de terem pago os seus passes sociais não podiam ser transportados pela rodoviária sem o pagamento do respectivo bilhete.

A explicação dada pelos motoristas era simples: a Câmara não tinha pago a sua parte logo o passe não era válido.

Na freguesia da Torre de Coelheiros a população, alertada no fim-de-semana por alguns rumores, decidiu que os jovens não pagariam duas vezes o transporte e como tal não puderam ir nesse dia às aulas.

Em todo este processo há duas entidades que ficam muito mal na fotografia, a Rodoviária e a “gerência” da Câmara Municipal.

A Rodoviária porque usou despudoradamente os jovens que necessitavam de transporte para fazer pressão sobre a câmara para obter um pagamento e a gestão municipal porque não soube acautelar uma situação que poderia afectar as centenas de alunos abrangidos por este sistema de transportes.

Este triste episódio trouxe de novo à luz do dia três características essenciais da gestão do PS na câmara de Évora.

Uma gestão que levou a autarquia ao descalabro financeiro ao ponto de não conseguir garantir o essencial, embora não hesite apostar no acessório se isso trouxer benefícios de notoriedade.

Uma gestão que é incapaz de assumir responsabilidades próprias, atirando-as sempre para cima de terceiros. Aqui a Rodoviária, ali o Tribunal de Contas, acolá a crise, mais à frente a meteorologia e se tudo isto falhar… resta sempre o azar.

E por último a atitude de franca agressividade, impaciência e desconforto sempre que os munícipes são capazes de se organizar e aparecer na reunião de câmara para fazer ouvir a sua voz.

Perante um salão nobre repleto de pais e de jovens da Torre de Coelheiros e de S. Manços, que pretendiam explicações e garantias, o presidente da câmara fez o que sempre lhe vi fazer em tais circunstâncias.

Vitimizou-se, acusou os presidentes da juntas de freguesia de manipularem as populações, tentou intimidar quem intervinha, lembrando que tudo estava a ser gravado, ameaçando acabar com a reunião se mais alguém se manifestasse batendo palmas.

Conseguiu o pleno. Todos os que estiveram presentes na reunião sentiram-se indignados e desrespeitados pela sugestão de que seriam manipuláveis e sem vontade própria.

As dificuldades em cumprir compromissos vão-se acentuar. Hoje o transporte, amanhã as cantinas escolares, depois de amanhã a recusa das juntas de freguesia em assumirem os protocolos sem o pagamento das dívidas, para a semana os trabalhadores ao serviço de agentes culturais atirados para o desemprego porque a câmara não cumpre os seus compromissos.

E é neste clima que o presidente da câmara afirma tranquilamente numa entrevista:  "Os dois anos têm corrido bastante bem, tendo em conta o contexto que vivemos".

Já imaginaram como seria se tivessem corrido mal?
 
Eduardo Luciano