Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

olharevora

Um olhar crítico/construtivo sobre a cidade de Évora

olharevora

Um olhar crítico/construtivo sobre a cidade de Évora

Dez anos da iniciativa “Dia sem Carros” têm pouco para mostrar

21.09.11 | barak

Dez anos depois de ter sido criado, o famoso “Dia sem Carros”, integrado na Semana da Mobilidade, tem pouco para mostrar e o automóvel continua a fazer parte da rotina dos portugueses.

Na zona central do centro histórico de Évora, a utilização do automóvel “continua actualmente a ser a regra”, apesar de a cidade aderir todos os anos à campanha do Dia Europeu Sem Carros, a 22 de Setembro. A opinião foi transmitida à agência Lusa pelo presidente do Grupo Pro-Évora, Celestino David, uma associação de defesa do património da cidade, que faz um balanço negativo sobre os resultados concretos da iniciativa na circulação na zona da acrópole de Évora. 

“A utilização do automóvel continua hoje a ser a regra e em muitos casos mal, em particular na zona central do centro histórico, onde estava previsto ser vedado gradualmente o trânsito”, disse. 

Da campanha europeia, lançada há cerca de uma década, Celestino David considera que em Évora “fica muito pouco”, depois de a iniciativa ter caído na rotina e ser hoje “um dia igual aos outros”. 

O arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles desvalorizou a iniciativa “Dia Sem Carros”, considerando que “não serve para nada”. “É uma iniciativa com muito boa vontade, mas que não vai ao fundo das questões, não resolve os problemas, não serve para nada”, disse o arquitecto paisagista. 

Para Gonçalo Ribeiro Telles, “o problema da mobilidade é uma consequência da organização do território e do ordenamento do território” e a sua resolução depende da “vontade política, da acção política e da intervenção”. 

Quanto à própria Semana da Mobilidade, a docente universitária Ana Bastos admite que a pouca adesão dos municípios terá por base as actuais dificuldades económicas do país. 

Esta investigadora do Laboratório de Urbanismo, Transportes e Vias de Comunicação, do Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Coimbra, realçou que o “pico da adesão” à iniciativa, em Portugal, verificou-se em 2007, com 83 candidaturas. 

Este ano, dos 308 municípios portugueses, apenas 61 participam na Semana Europeia da Mobilidade, o que traduz uma adesão de 20 por cento. “Esta menor adesão será claramente fruto da conjuntura económica”, disse Ana Bastos, ao ressalvar que “há um esforço positivo” da generalidade das autarquias no sentido de melhorar a qualidade ambiental das áreas urbanas, apostando nos transportes públicos. 

A especialista salientou que, apesar das actuais restrições económico-financeiras, o nível de adesão à Semana da Mobilidade não sofreu alterações significativas desde 2007. 

Em 2008, foram 69 as autarquias envolvidas, número que subiu para 75 no ano seguinte, descendo para 66 em 2010. 

“Não se trata de uma moda. Há hoje uma maior sensibilidade dos cidadãos e dos autarcas para a necessidade de contribuir de forma significativa para a alteração modal”, que passa por um aumento da procura dos transportes colectivos, concluiu.