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olharevora

Um olhar crítico/construtivo sobre a cidade de Évora

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A praia e o resto

11.07.11 | barak

Se há esperança para Portugal, passa pelo turismo. Há que saber agarrar os estrangeiros, sobretudo espanhóis e ingleses, que voltaram em força às praias do Algarve.

Ainda não há informação ou dados estatísticos disponíveis – ou divulgados –, mas é já visível a olho nu: os estrangeiros voltaram em força às praias portuguesas. Espanhóis e ingleses, sobretudo. E não só às praias.

Em Lisboa, neste arranque de Verão, há tantos ou mais espanhóis do que nas habituais vacaciones de Natal ou, principalmente, da Páscoa.

Cascais, por exemplo, vai retomando o appeal de tempos quase esquecidos. E o investimento na recuperação das praias não será alheio ao sucesso. Não é à toa que as praias com bandeira azul na Linha de Cascais são já mais do dobro do que as da Costa de Caparica (nove contra quatro) – há menos de uma década, a proporção era exactamente a inversa. Se é bom para Cascais, não deixa de ser preocupante para a Costa e seu tão extenso quão desperdiçado areal.

No Porto, será até caso para se dizer que se sente a falta que não faz a desprojectada e milionária ligação de TGV a Vigo.

O Porto cidade melhorou e muito nos últimos anos e oDouro está na moda, cá e lá fora, com as suas ímpares vinhas e os seus solares e as quintas e hotéis e restaurantes de excelência.

Em Évora, as excursões de japoneses com as máquinas a tiracolo e sempre prontas a disparar, mais turistas ingleses e não só invadem o Templo de Diana, a Praça do Giraldo e os restaurantes típicos e de primeiríssima qualidade.

No Algarve... é de uma ponta à outra.

Há 15 dias, os nortenhos aproveitaram a ‘ponte’ dos feriados sanjoaninos do Porto (na sexta-feira) e de Gaia (na segunda-feira imediatamente seguinte) para rumarem a Sul. Mas nem a pronúncia do Norte abafou a língua inglesa que abunda pelos Algarves.

Tavira foi um exemplo – ao ponto de quem habituado a jantar ou a um passeio nocturno junto às margens do Gilão não conseguir sequer arranjar lugar para parquear o automóvel.

Albufeira e Oura já se sabe como é... como era. Apesar das sucessivas notícias de assaltos violentos, e eventualmente também por efeito do reforço da presença policial, continuam com um mar de gente.

Portimão mantém a aposta dos últimos anos na recuperação da chama perdida faz décadas entre as torres de betão. A Praia da Rocha, a Fortaleza e o passeio de restaurantes de Ferragudo, do outro lado da foz do Arade, não têm falta de fregueses.

Lagos investiu na Meia-Praia, onde os projectos de mais do que duvidoso enquadramento paisagístico ainda não estragaram tudo e convivem com outros, felizmente, de superior qualidade. A Marina e o golfe deram com absoluta certeza um bom impulso. Mas impressiona particularmente o investimento no Centro Histórico, que já rivaliza em animação e comércio com as mais concorridas zonas de Albufeira, de Quarteira ou de Faro.

Armação de Pêra também é uma roda viva, mesmo com uma praga de ratos nas falésias, que não há maneira de eliminar. Mas perde em qualidade para os vizinhos Salgados, para s. Rafael ou para a Galé...

A Quinta do Lago, e o inimitável Gigi, estão, como sempre, acima de qualquer crise.

Vila Real de Santo António, Altura, Praia Verde, Cabanas, Cacela, Olhão e a Ria Formosa, Sotavento fora já não são o sossego que foram e também crescem a olhos vistos. Por aqui, os espanhóis são agora muito mais do que os portugueses na Isla Canela, em Torremolinos ou em Benidorm.

Porque Portugal é melhor.

A crise do Norte de África, principalmente no Egipto e na Tunísia, é uma das razões que explicam o regresso dos turistas estrangeiros, com o Algarve como primeiro destino.

Seja. Há é que aproveitar para os agarrar. Sobretudo em tempo de crise e quando os portugueses ainda fazem por ignorar todos os seus reais efeitos. Eeles vão fazer-se sentir, e de que maneira.

Álvaro Santos Pereira escreveu antes de ser ministro da Economia um livro em que defendia que Portugal devia transformar-se na Florida da Europa.

Portugal, Continente e Ilhas, têm condições naturais, históricas e culturais com potencialidades muito superiores às de Miami e arredores.

Há que saber é tirar partido delas.

E incentivar o investimento de qualidade.

Para conquistar o turismo qualificado. Aquele que faz entrar dinheiro que se veja. Que dá retorno no presente e permite acalentar esperança no futuro.

O turismo, o mar, as praias, a gastronomia, a história e o património são dos nossos melhores recursos.

E temos tão poucos...