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olharevora

Um olhar crítico/construtivo sobre a cidade de Évora

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Um olhar crítico/construtivo sobre a cidade de Évora

Miguel Sampaio - Oli and Mary

11.07.11 | barak
Aconteceu aqui em Évora a primeira semana dos palhaços.
Vieram de toda a península, animaram a Malagueira, foram até ao Giraldo, ao Jardim Público, a outros lados, mostraram a sua arte e aos poucos a cidade foi aderindo. Os espectáculos foram tendo mais assistência, as crianças apareciam levando os pais pela mão e, quando tudo acabou… soube a pouco.
Foi o primeiro festival do género, em Évora e em Portugal.
A Junta de Freguesia da Malagueira contribuiu com mil euros, aquilo que pôde; ajudou, acarinhou. A Câmara, essa, deu apoio logístico, o que quer que isso seja. Não fossem as pessoas que trabalharam, as pessoas que foram assistir aos espectáculos e pagaram bilhete, mais os outros, que nos espectáculos de rua, contribuíram com as moedas no chapéu dos artistas e se calhar o primeiro festival seria simultaneamente o último.
Interrogo-me com certa mágoa acerca do autismo desta Câmara. Quais as prioridades que a levam a desembolsar milhares de euros num recinto com duvidosas condições como a Arena de Évora, a gastar milhares de euros numa acção de marketing como o nado morto festival do Alentejo, a trazer artistas cuja qualidade não contesto, como Toni Carreira, mas que cobram cachets faraónicos, a apoiarem iniciativas absurdas como aquela da pista de gelo na Praça do Giraldo e, a ignorarem olimpicamente iniciativas originais, com mais possibilidades de trazer gente à cidade, com pernas para andar, que marcam pela diferença, que podem constituir-se como mais-valia e pôr de novo o nome da polis no lugar de onde nunca deveria ter saído.
Évora cidade de cultura!
Não falo apenas da semana dos palhaços, nem da escrita na paisagem, nem de muitas outras iniciativas que decorrem, porque apesar de tudo existe nesta cidade gente que não desiste, que se recusa a aceitar o marasmo.
Hoje na Praça do Sertório vai decorrer mais uma assembleia daqueles que ainda pensam ser possível viver em Évora sem terem de se conformar com esta ausência de respeito que a Câmara manifesta para com a cultura.
Vão lá estar e debater caminhos, gerar soluções, criar sinergias, avançar sozinhos nesta luta que deveria ter a autarquia presente a dar a cara, a afirmar o que pode ou não pode fazer, para que todos saibam com que contar, para que se possa avançar. Não é uma questão de verbas o que está em causa, é uma questão de cidadania, de respeito, de dignidade.
No que toca à cultura esta Câmara não existe, como não existe no que toca ao respeito pelos munícipes, ou pela verdade, ou por essa coisa tão simples que se chama democracia.
A loja vai fechar durante o verão como habitualmente, pelo que desejo a todos que se aguentem como puderem, já que os tempos que se avizinham não serão nada fáceis.
Um abraço a todos e obrigado pela vossa paciência.