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olharevora

Um olhar crítico/construtivo sobre a cidade de Évora

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Um olhar crítico/construtivo sobre a cidade de Évora

Apesar de tudo move-se | Eduardo Luciano | Diana FM, 7/7/2011‏

07.07.11 | barak

Quando o mês de Agosto se aproxima a tendência do “pessoal” é de desligar os motores e ficar em modo despreocupação completa, andando ao sabor do tempo e do vento.

Parece que este ano de 2011 trouxe algumas novidades quanto a esta espécie de parêntesis sazonal e tivemos na nossa cidade um apelo aos criadores artísticos para que se manifestem diariamente, utilizando o que melhor sabem fazer, para agitar consciências enquanto animam os espaços públicos.

São jovens e menos jovens que ao fim da tarde ocupam e animam esses espaços, demonstrando que apesar de todos os constrangimentos, oposições e inércias dos diversos poderes, a cultura nas suas diversas vertentes está viva e insiste no desafio de criação de espaços de partilha e de fruição.

Demonstram que, com muito pouco, é possível dar outra imagem da cidade triste que fecha para balanço ao fim de tarde enquanto os muitos turistas deambulam pelas ruas e praças em busca do que não existe.

Esta novidade da mobilização espontânea para defender a actividade cultural, anima quem sempre achou que um dia a letargia haveria de ser vencida pela vontade de fazer coisas e surpreende quem acha que pode não cumprir compromissos esperando que o sol de verão faça esquecer o essencial.

Não sei se os artistas e agentes culturais que meteram mãos à obra e decidiram mobilizar a cidade em defesa das suas actividades vão ser capazes da constância que se exige a uma acção deste tipo.

Mas uma coisa é certa, algo está a mudar e quem não entender esta mudança e as suas razões ficará irremediavelmente perdido no tempo. a agitar fantasmas e preso a certezas que lhes são garantidas pela sua surdez.

Évora é uma cidade de cultura. Com apoios ou sem eles, com mais ou menos dificuldades, com mais ou menos coerência nas posições que assumem, com mais ou menos capacidade de risco (por vezes dar a cara e dizermos o que pensamos é arriscado) os trabalhadores da cultura já perceberam que a passividade é seguramente o “gato-pingado” que enterrará sonhos e desejos de uma outra Cidade.

Que encham as ruas e praças de sonhos e que sejam capazes de afirmar que o fazem apesar da falta de apoios e em protesto pela mesquinhez de quem ainda não percebeu que cortar na cultura é amputar uma parte essencial da identidade deste espaço onde vivemos.

 

Até para a semana

 Eduardo Luciano