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olharevora

Um olhar crítico/construtivo sobre a cidade de Évora

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Autarcas alentejanos receberam com indignação decisão do Governo

29.06.11 | barak

Os autarcas alentejanos receberam com indignação o anúncio da suspensão do projeto de alta velocidade entre Lisboa e Madrid. Évora e Elvas são as duas cidades com estações previstas na obra. As explicações do anúncio do Governo vão ser pedidas ao novo ministro das Obras Públicas, mas também a Bruxelas.

 

Évora e Elvas eram as duas cidades onde deveriam ficar as duas estações previstas no projeto de TGV que ligaria Lisboa a Madrid. O governo apresentou o seu programa na Assembleia da República na passada terça-feira, ficando então a saber-se que o projeto ficaria suspenso mas que este poderia ser reavaliado.

“Poderá sujeitar-se o projeto a uma reavaliação, incluindo o seu conteúdo e calendário, numa ótica de otimização de custos, à luz dos novos condicionalismos, e que deverá ter em conta o estatuto jurídico dos contratos já firmados", lê-se no documento.

Os autarcas da região com especial enfoque para os das duas cidades diretamente atingidas, Évora e Elvas, receberam a decisão com indignação. 
Nuno Mocinha Vice-Presidente da câmara Municipal de Elvas, exprime bem o que representa para a região a suspensão do projeto.

“Isto é o apagar a luz ao fundo do túnel. Era um projeto estruturante que para além da alta velocidade trazia também o comboio das mercadorias que liga Sines ao resto da Europa e estava associado também a este projeto a plataforma logística”.

Os autarcas de Elvas e de Évora estão indignados com a decisão do Governo de suspender o projeto de alta velocidade entre as duas capitais ibéricas até porque, dizem, não é só o TGV que fica pelo caminho.

José Ernesto Oliveira, Presidente da Câmara Municipal de Évora, explica as razões essenciais da indignação. 

“Havia compromissos já assumidos. Havia determinados projetos de investimento muito vultuosos que contavam com este investimento no Alentejo, nomeadamente na área do turismo e da indústria e que, não sei qual vai ser o futuro que esses projetos vão sentir na medida em que contavam com a alta velocidade na nossa cidade como forma de reagir”, diz.

A suspensão do projeto vai prejudicar em grande escala a indústria e o turismo na região. “Para Évora é uma perda muito grande, por ser uma cidade Património Mundial, com mais de meio milhão de visitantes, a maioria dos quais estrangeiros", explica o edil de Évora. 

"Estar a cidade inserida numa rede de alta velocidade que a pusesse em contacto próximo com outras cidades da Europa era importantíssimo para o desenvolvimento", sublinhou. 

Nuno Mocinha, Vice-Presidente da câmara Municipal de Elvas acrescenta que “o projeto não vale só por si mas por tudo aquilo que tem induzido a este projeto por isso eu penso que é uma má decisão numa altura em que aquilo que se quer criar é emprego, desenvolvimento e crescimento”.

O primeiro passo será um pedido de audiência ao novo ministro com a pasta das Obras Públicas, depois segue-se para a União Europeia.

José Ernesto Oliveira, Presidente da Câmara Municipal de Évora, afirmou esta quarta-feira que “inclusivamente, iremos a Bruxelas juntamente com outros municípios da região para que esta decisão seja revista e os compromissos nacionais e europeus que estão já assumidos nesta matéria sejam respeitados”.

Autarcas de uma região que, dizem há muitos anos se habituou a ser relegada para segundo plano pelo poder central, não poupam as críticas ao governo de Passos Coelho pela decisão agora anunciada.

"Infelizmente, repete-se a história. O Alentejo não conta para a direita, os alentejanos não contam para a direita. Os alentejanos, no fundo, são cidadãos de segunda, são portugueses, que, talvez por sermos poucos, não contamos nas contas que a direita faz", acusa José Ernesto Oliveira, à margem das cerimónias de comemoração do dia do Padroeiro de Évora, São Pedro. 

Eixo Atlântico também quer reunir-se com o ministro da Economia

Não são só as autarquias portuguesas que se sentem lesadas e descontentes com a suspensão anunciada pelo governo de Passos Coelho. Também o “Eixo Atlântico” ficou inquieto com a notícia.

A entidade que reúne 34 municípios da Galiza e do Norte de Portugal deverá reunir a sua comissão executiva em breve para abordar o tema da ligação de alta velocidade entre o Porto e Vigo bem como a questão das portagens nas SCUT.

O secretário-geral do “Eixo Atlântico”. Xoan Vásquez Mão já falou com o Alcaide [presidente da Câmara Municipal] de Vigo que é o atual presidente da entidade para que este promova uma reunião urgente da Comissão Executiva da organização, uma vez que é ele que detém essa competência estatutária.

O encontro deverá ocorrer no início do mês de julho e terá entre os pontos da ordem de trabalhos a preparação de uma reunião que entretanto vão solicitar com o novo ministro da Economia português, Álvaro Santos Pereira.