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olharevora

Um olhar crítico/construtivo sobre a cidade de Évora

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Um olhar crítico/construtivo sobre a cidade de Évora

Nenhum eclipse dura para sempre | Eduardo Luciano | Diana FM, 16/6/2011

16.06.11 | barak

A propósito do fenómeno verificado ontem, um eclipse lunar, imaginem uma cidade sujeita a tal escuridão e os efeitos que isso tem para os que nela habitam.

O tal eclipse provoca efeitos vários e devastadores. De repente a cidade animada e símbolo de cultura viva, transforma-se num deserto onde os que produzem cultura localmente vivem asfixiados em expectativas que nunca se cumprem.

Obras anunciadas e tornadas a anunciar nunca se concretizam e as “tabuletas”, que ameaçam que a coisa fica cumprida num ano, lá vão ficando como legendas da capacidade de mentir e da incapacidade de realizar.

O lixo e a sujidade tomam conta de ruas, praças e bairros e nem nos momentos de maior presença de visitantes existe qualquer preocupação acrescida com esse flagelo.

A escuridão provocada pelo eclipse desorganiza contas e faz disparar as dívidas para níveis nunca vistos em tempos de claridade.

A estrutura de recursos humanos que devia agir sobre o espaço público atinge tais níveis de desorganização e desmotivação que poucos saberão o que devem ou não devem fazer, tornando-se alvo dos que sempre se enganam quando atribuem responsabilidades.

Acreditando que o breu da noite artificial tudo pode encobrir, promete-se hoje o que se sabe não se poder cumprir amanhã e diz-se amanhã que as promessas afinal não o eram, passando a intenções que ainda não se concretizaram.

Atiram-se competências para outros e não se transferem a tempo e horas os meios para as executar.

Nesse tempo de pouca visibilidade investem-se dinheiros públicos na recuperação de propriedade privada para transformar uma praça de touros numa… praça de touros.

Brandem-se canos na mão para anunciar uma nova era de qualidade da água consumida, para afinal se concluir que a opção de entregar a sua gestão a terceiros é ruinosa para quem a fornece e para quem a consome, como se a decisão de alienar a sua gestão tivesse sido tomada por um conjunto ET’s que agora ninguém consegue identificar.

Poderia ficar aqui a perorar sobre os efeitos do tal eclipse mas acho que já perceberam onde pretendo chegar e cada um de vós encontrará mais “episódios” para juntar a esta lista. Os eclipses costumam durar pouco tempo e o regresso da luz costuma encher de alívio os que estiveram sujeitos aos seus efeitos.

Mas este de que falo já dura há 10 anos e um eclipse com tal duração pode levar uma cidade de volta à idade das trevas.

Ainda assim não é eterno e a luz acabará por nos ser devolvida. Todos temos que estar preparados para esse momento por duas razões: para não cegarmos com a luminosidade e porque depois de um tão longo período de trevas ninguém consegue sozinho construir um caminho alternativo.

E como ele pode chegar a qualquer momento convém que nos vamos preparando.

 

Eduardo Luciano