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olharevora

Um olhar crítico/construtivo sobre a cidade de Évora

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Governos Civis de Beja, Évora e Portalegre desvalorizam “ideia de grande aumento da criminalidade

02.04.11 | barak

Os governos civis de Beja, Évora e Portalegre desvalorizaram a “ideia de um grande aumento” da criminalidade violenta e grave no Alentejo, explicando que uma leitura percentual não reflete a "reduzida" dimensão dos números absolutos.

Segundo o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) 2010, divulgado na quinta-feira, a criminalidade violenta e grave aumentou 44,6 por cento em Beja, seguindo-se, em termos percentuais, os outros dois distritos alentejanos, Portalegre, com mais 18,4 por cento, e Évora, com um acréscimo de 17,6 por cento.

“A ideia de um grande aumento da criminalidade violenta e grave” no distrito de Beja, em 2010, em relação a 2009, “é criada a partir de uma leitura estatística”, que “não reflete a expressão dos números em termos absolutos”, frisou hoje à agência Lusa o governador Civil de Beja, Manuel Monge.

Também a governadora Civil de Évora, Fernanda Ramos, rejeitou a mera análise percentual sobre a criminalidade no Alentejo: “Quem olhar para estes números, julgará que o caos se instalou a sul”.

O que “não se diz”, segundo Fernanda Ramos, “é que, das quase 24.500 ocorrências” no país, “as diferenças reais em Beja foram de 37 casos (passou de 83 para 120), em Portalegre de 14 (76 para 90) e em Évora de 24 (136 para 160)”, o que são “números baixos no cômputo geral”.

“Por se reportarem a universos tradicionalmente pouco elevados, explicam o crescimento percentual. Se eu viver num distrito com dois crimes em 2009 e quatro em 2010, aumentei 100 por cento.

Será essa percentagem verdadeiramente significativa para a criminalidade nacional”, questiona.A mesma comparação é feita pelo Governo Civil de Portalegre, que destaca que os números da criminalidade no distrito “são bastante reduzidos, se comparados com outras regiões, mesmo atendendo à diferente densidade populacional”.

“Qualquer variação de um para dois crimes num destes parâmetros, de um ano para outro, pode aumentar em 50 por cento a criminalidade”, reforçou.

O governador Civil de Beja admitiu que, de facto, “houve um aumento” da criminalidade no distrito, que “é relativo em termos absolutos”, comparando com regiões com mais crimes, mas que “parece muito mais expressivo em termos estatísticos”.

O que “mais preocupa as pessoas e as autoridades” na região de Beja, assegurou Manuel Monge, não é esse tipo de criminalidade, mas sim “os furtos no mundo rural”, como os de cobre, gado e combustíveis em explorações agrícolas.

Se for analisado “o ranking das participações relativas à criminalidade violenta e grave e em números absolutos, o distrito de Beja aparece em 16.º lugar e o de Lisboa é o que está em primeiro”, frisou Manuel Monge.

Segundo o RASI 2010, e mais uma vez em termos percentuais, Beja é igualmente o distrito com maior aumento das participações criminais no seu todo (mais 16 por cento), mas o governador Civil volta a remeter para os números absolutos.

Aí, contrapôs, o distrito de Beja (com 4.135) “está em antepenúltimo lugar”, sendo que “abaixo só está o da Guarda (com 4.061) e o de Portalegre (com 3.209)”, sublinhou Manuel Monge.