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olharevora

Um olhar crítico/construtivo sobre a cidade de Évora

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Um olhar crítico/construtivo sobre a cidade de Évora

AGARREM-ME SE NÃO EU BATO-LHE

16.12.10 | barak

Perante sinais e evidências que a Câmara de Évora parece estar em processo de desintegração, tal é o desnorte que grassa no seu executivo, o PSD local decidiu tomar posição sobre o descalabro da gestão do PS no município, deixando no ar a possibilidade desde executivo não cumprir o mandato até ao fim.

Para quem tem acompanhado com atenção os últimos anos da política autárquica em Évora, esta posição do PSD é estranhíssima.

Desde 2005, ano em que os eborenses retiraram a maioria absoluta ao PS, que o PSD se tem comportado como um aliado fiel nas decisões mais importantes para a vida no concelho.

Não será necessário lembrar os orçamentos aprovados, a revisão do PDM, a tabela de taxas, os projectos de regulamentos para as actividades culturais, desportivas e sociais, entre muitas outras decisões que só foram passíveis de levar à prática porque a posição do PSD o permitiu.

Quem tiver curiosidade pode consultar as actas das reuniões públicas de câmara e assembleia municipal e rapidamente verificará que às críticas e objecções levantadas se segue uma corajosa opção de voto que permite fazer passar o que se criticou com veemência.

Nas mesmas actas lá encontrará os recorrentes elogios dos eleitos do PS às “posições responsáveis” do PSD em ambos os órgãos autárquicos.

O PSD foi, de facto, durante este e o anterior mandato um verdadeiro seguro de vida para a gestão que agora critica com tanta verve. Foi a muleta que permitiu ao PS levar por diante as opções que conduziram o município ao beco sem saída onde se encontra.

Percebe-se que, sentindo o poder a dissolver-se, se queira agora distanciar de posições anteriormente assumidas, ameaçando retirar a muleta a quem tanto dela precisou nos últimos 9 anos. Mas esse aparente distanciamento não apaga o papel desempenhado nem as responsabilidades políticas que lhe são inerentes.

Veremos como irá o PSD colocar-se perante as alterações ao Plano de Urbanização, que terá consequências gravosas para gestão urbanística deste território ou perante o novo regulamento do cartão social do munícipe que, a ser aprovado, reduzirá substancialmente os apoios prestados.

Suspeito que não poupará nas críticas e concluirá que se deve abster proporcionando assim a sua aprovação.

À conta destas declarações do PSD, vem o PS gritar que a oposição se prepara para derrubar a câmara, numa convergência que só alguém muito distraído do que passa nas reuniões de câmara e assembleia municipal pode vislumbrar.

Percebo-os. Uns e outros. Mas podem ficar descansados. A única possibilidade de tal acontecer será a deserção, por parte do PS, das responsabilidades que os eborenses lhes quiseram atribuir nas últimas eleições autárquicas.

Entretanto o PSD continuará a fazer o papel de quem esbraceja gritando a famosa frase “agarrem-me se não eu bato-lhe”, na corajosa atitude de quem sabe que nunca lhe chegará a bater.

 

Eduardo Luciano