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olharevora

Um olhar crítico/construtivo sobre a cidade de Évora

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Um olhar crítico/construtivo sobre a cidade de Évora

Museu da Música será o primeiro Museu Nacional a Sul do Tejo

21.11.10 | barak

A ministra da Cultura afirmou à Lusa que “dada a situação precária em que se encontra o atual Museu da Música”, em Lisboa, no metro do Alto dos Moinhos, cujo contrato de cedência expira em 2014, “havia que agir antecipadamente".
Para a escolha de Évora concorreram vários factores. Desde logo, a vontade política de “descentralização”, “o enquadramento geográfico interessante” e a possibilidade de concorrer a fundos comunitários.
“As candidaturas estão, aliás, a ser já preparadas”, garantiu a ministra.
Gabriela Canavilhas salientou “o potencial de crescimento que S. Bento de Castris, um antigo convento cisterciense de freiras, para se tornar um ‘cluster’ de desenvolvimento na área da música”.
Neste sentido, a governante lembrou a ligação de Évora a “um dos períodos áureos da música portuguesa”, referindo-se à escola polifónica da Sé de Évora (século XVI), e a existência do departamento de música da Universidade de Évora.
A ministra afirmou que o novo Museu “terá espaços para residências artísticas de músicos e até para uma orquestra com sede no Alentejo”.
O futuro Museu Nacional da Música irá englobar o Arquivo Sonoro “segundo o modelo apresentado pela etnomusicóloga Salwa Castelo Branco, “que é mais que uma fonoteca e é um arquivo no sentido em que, além de consolidar espólio, passa pelo tratamento e divulgação internacional e ligação a redes internacionais”.
Canavilhas afirmou que o novo arquivo “pode juntar outros espólios espalhados por outras instituições”, depois de uma análise caso a caso, para evitar o “empobrecimento de outros museus caso faça parte integrante da sua expressão museológica”. “Será uma análise casuística”, defendeu a ministra.
Para Évora deverá ir o arquivo sonoro da RDP que é “o mais apetecível e rico”.
Questionada sobre o futuro da colecção de discos que o Estado e a Câmara de Lisboa compraram ao britânico Bruce Bastin, a titular da pasta afirmou que uma decisão será partilhada com a autarquia da capital.
Gabriela Canavilhas garantiu que “a coleção está já paga e em Portugal”. “Está no Museu do Fado e sei que está em situação precária”, acrescentou.
O Convento de S. Bento de Castris localiza-se em Évora, na freguesia da Malagueira. Construído no século XIV, foi acrescentado ao longo dos séculos, sendo de traça predominantemente manuelina.
Remontando a 1911 a intenção de constituir um Museu da Música, só abriu em 1946 no Conservatório de Lisboa e foi transferido em 1971 para o Palácio da Pimenta, em Lisboa. Quatro anos depois, as peças foram depositadas na Biblioteca Nacional, e posteriormente no Palácio de Mafra, até que em 1994, mercê de um protocolo, com o Metropolitano de Lisboa, ficou instalado no Alto dos Moinhos.
Segundo o “site” do Museu, este detém “uma das mais ricas colecções da Europa com cerca de 1300 instrumentos” em que se destacam o cravo de Joaquim José Antunes (1758), os violinos e violoncelos de Joaquim J. Galrão, as guitarras de D. J. Araújo e as flautas Haupt.
Integram ainda a colecção o cravo de Pascal Taskin (1782), o piano (Boisselot & Fils) que Franz Liszt trouxe em 1845, o oboé de Eichentopf, os cornes de Grenser e de Grunman & Floth, e o violoncelo de Antonio Stradivari que pertenceu e foi tocado pelo Rei D. Luís, além de espólios documentais, acervos fonográficos e iconográficos. Entre os espólios refira-se o de Alfredo Keil, autor do Hino Nacional.
Em 2009 o Museu registou 11857 visitas e este ano, até 15 de Novembro, 10158.
(ES)