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olharevora

Um olhar crítico/construtivo sobre a cidade de Évora

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Aeródromo de Évora permitiu voo ilegal

28.08.09 | barak

O piloto de 38 anos que na semana passada morreu após despenhar-se perto do Bairro de Almeirim, em Évora, não tinha qualificação nem autorização para largar pára-quedistas. A incúria poderia resumir-se a uma ilegalidade aeronáutica, punível com coima, mas o caso transformou-se em tragédia: o acidente matou um dos pára-quedistas que ficou a bordo.

Eddy Resende possuía uma licença de Piloto Particular de Aviões obtida nos EUA. Ou seja, só lhe era permitido pilotar aviões monomotores de matrícula norte-americana. Mas, no dia do acidente, Eddy estava aos comandos de um bimotor (Beechcraft 99), de matrícula francesa e a realizar trabalho aéreo: largar pára-quedistas que pagaram para ir no avião. Naquela sexta-feira, o aparelho estava já há uma semana em Évora, tendo descolado várias vezes.

Segundo as normas, o aviador teria de possuir várias autorizações: uma licença de Piloto Comercial de Aviões europeia ou validada pela autoridade aeronáutica francesa (país de origem do bimotor); uma qualificação naquele modelo de avião; e ainda um Certificado de Operador de Trabalho Aéreo emitido pelo Instituto Nacional de Aviação Civil (INAC) para a sua escola "SkyDive". Documentos que o director do aeródromo, Lima Basto, nunca viu.

"Eu sabia que ele tinha uma licença americana e perguntei-lhe, informalmente, se tinha bimotores. Disse que sim, que a seguir ia tirar instrumentos e até disse: 'Eu nunca lhe minto, pode ficar descansado'. Mas, não lhe pedi para ver". Eddy preencheu os planos de voo assumindo-se como comandante, mas já tinha contratado um piloto experiente para ocupar o lugar. Iniciaria funções no dia seguinte ao acidente fatal.

O caso está agora sob averiguação do INAC, mas o director do aeródromo - ex-piloto da TAP e investigador principal da última Comissão Parlamentar de Inquérito a Camarate -, diz que "os directores dos aeródromos são quase todos administrativos das autarquias. Eu devo ser dos poucos que é piloto e não sei se tenho de conhecer essa legislação". O INAC diz que sim.

Como aviador e avião tinham documentos estrangeiros, a aeronave "não está sob a nossa jurisdição em matéria de certificação" e não "há uma responsabilidade directa" pelo piloto. E acrescenta: "O único elemento de conexão neste acidente é ter ocorrido em território português". Ou seja, num aeródromo com director, que é o primeiro responsável pelo que lá se passa.

As causas do acidente estão a ser investigadas pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves (GPIAA), que ao Expresso admitiu não esperar resultados a breve prazo. "A aeronave ficou destruída e a investigação torna-se muito difícil", admite o presidente, Fernando Ferreira dos Reis.

Testemunhas dizem ter visto o motor esquerdo parado.

Também em análise está nesta altura o acidente com o monomotor que dois dias depois, no domingo passado, caiu em Alcácer do Sal. Provocou a morte do piloto, 79 anos, e ferimentos no outro ocupante.

Texto publicado na edição do Expresso de 22 de Agosto de 2009

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