Quinta-feira, 20 de Setembro de 2012

Autarcas contra fim da construção de lanços de estrada no Baixo Alentejo

No rol de contestações estão seis presidentes de câmara e a associação que representa os empresários do Baixo Alentejo. Todos afirmam que a capacidade económica da região vai ser prejudicada.


Os presidentes de câmara de Beja, Évora, Sines, Santiago do Cacém, Ferreira do Alentejo e Moura criticaram esta quarta-feira o acordo que resultou da renegociação da concessão rodoviária do Baixo Alentejo, entre a Estradas de Portugal (EP) e o consórcio Estradas da Planície, que vai resultar na paragem dos trabalhos de construção de três lanços de estrada (dois deles na A26).

Os cinco autarcas são unânimes ao considerarem que a decisão de cortar nos três lanços adjudicados (o IP8/A26 entre Relvas Verdes e Grândola, o IP8/A26 entre Santa Margarida do Sado e Beja e o IP2 entre o Nó de Monte de Pinheiros e o Nó de Ramal) vai afectar o desenvolvimento económico da região. E alertam para o facto de estarem a ser interrompidas obras onerosas já em curso.

Filipe Pombeiro, presidente da Associação Empresarial do Baixo Alentejo e Litoral (NERBE/AEAL), opõe-se também à interrupção das obras nos três lanços e considera que prossegui-las pode ser a melhor decisão, garantindo simultaneamente poupança ao Estado e a acessibilidade de que a região necessita. 

O memorando de entendimento celebrado entre a empresa pública e a Estradas da Planície vai reduzir os encargos do Estado no Baixo Alentejo em 338 milhões de euros. Um dos pontos acordados prevê a interrupção dos trabalhos naqueles três lanços.

Para a Câmara de Beja, a decisão “uma machadada”

O presidente da Câmara de Beja confirmou que a decisão do Governo revela uma “machadada dramática naquilo que são as pretensões da região”, uma vez que a ligação da região à A26 se constituía como “uma peça fundamental” no processo de desenvolvimento do Baixo Alentejo.

Jorge Pulido Valente disse ainda não compreender por que razão está o Governo a “abandonar um investimento que está feito”, referindo-se às obras já realizadas, e diz-se ainda “enganado” pelo secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Sérgio Silva Monteiro. Este, refere o presidente da Câmara de Beja, terá apenas comunicado uma diminuição do número de faixas na A26, mas não o abandono dos lanços referidos.

Câmara de Évora alerta para perigos no abandono das obras

O presidente da Câmara de Évora prometeu o “mais veemente protesto” contra a suspensão dos trabalhos na IP2, que ligariam o Nó de Monte de Pinheiros e o Nó do Ramal.

O autarca não estava apenas à espera que esta obra fosse aliviar o trânsito no interior da cidade de Évora. Para além da melhoria da circulação automóvel, o autarca do Partido Socialista disse ainda que a obra podia melhorar o percurso entre as localidades de Monte dos Pinheiros e Ramal de S. Manços, percurso que, sem requalificação, se mostram “perigosos”. 

Câmara de Sines teme pela economia da região

Eleito como independente para a presidência da Câmara de Sines, Manuel Coelho admitiu estar “inquieto” com a notícia da interrupção do troço da A26 até Grândola, não conseguindo identificar “uma preocupação do Governo em definir prioridades para dinamizar a economia”.

O presidente da Câmara queixa-se da falta de comunicação que existe entre o Governo e os autarcas e refere ainda que existem troços cuja construção vai ser concluída e que não são necessários, como a ligação entre Sines e Santo André, e Sines e Santiago do Cacém.

Câmara de Santiago de Cacém exige esclarecimentos

O presidente da Câmara de Santiago de Cacém disse que as medidas que resultam do acordo para a redução dos encargos da concessão são “extraordinariamente negativas para o desenvolvimento económico e regional”.

Eleito pela CDU, Vítor Proença identifica contradições no anúncio da empresa pública e relembra o que os restantes autarcas também referiram: há obras em curso que vão ser interrompidas.

A opinião de que a “história está muito mal contada” é reiterada pelo autarca, que exige um esclarecimento cabal ao país.

Câmara de Ferreira do Alentejo: poupança prejudica desenvolvimento

“Uma irracionalidade económica” é como o presidente da Câmara de Ferreira do Alentejo, Aníbal Costa, vê a decisão de interromper obras, nas quais já foram gastos “muitos milhões de euros”. Em causa está a interrupção dos trabalhos no troço entre Santa Margarida do Sado e Beja.

O autarca eleito pelo PS lamenta que a poupança seja feita “à custa do desenvolvimento da região”. 

Para além do abandono das obras “que já estão no terreno”, afirma Aníbal Costa, existe um “incómodo ao nível do ordenamento do território”, pelos terrenos expropriados sem razão, em primeiro lugar, e pelo revolvimento de terras já realizado e com altos custos ambientais.

José Maria Pós-de-Mina: “Um atentado contra os interesses do Baixo Alentejo”

O presidente da Câmara de Moura e da Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo, José Maria Pós-de-Mina, classifica a decisão de interromper os dois lanços na A26 como “um autêntico crime de lesa-região”. 

Sobrepostos à principal razão apresentada pelo Governo para a redução dos encargos na concessão – a poupança – estão o “desperdício do investimento público já realizado” e as consequências no desenvolvimento regional, critica José Maria Pós-de-Mina.

Em comunicado, o autarca da CDU serve-se dos mesmos argumentos utilizados pelos restantes presidentes de câmara, concluindo ainda que é um “erro grave” considerar a suspensão das obras em curso como um esforço de “poupança financeira”. O presidente da Câmara de Moura sustenta que, a confirmarem-se as alterações anunciadas pela EP, a A26 ficará a “meio do caminho, em Santa Margarida do Sado”, sem alcançar sequer a capital de distrito, Beja. 

Associação empresarial sugere IP entre Sines e Beja

Para o presidente da Associação Empresarial do Baixo Alentejo e Litoral, Filipe Pombeiro, “não é racional” abandonarem-se as construções no lanço que deveria ligar Santa Margarida do Sado e Beja, depois dos investimentos realizados e que ficam “por aproveitar”.

O presidente da NERBE/AEBAL diz que tem em consideração os constrangimentos orçamentais e a necessidade de poupança do país, mas que, todavia, é necessária uma “perspectiva de desenvolvimento regional em mente”.

Pombeiro defende um aproveitamento das infraestruturas já construídas e propõe uma solução: a construção um Intenerário Principal (IP) com duas faixas em cada sentido, ligando Sines e Beja, algo que, garante, permite ao Estado poupança e à região a acessibilidade de que necessita.

publicado por barak às 15:00
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