Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2011

Mais de cem trabalhadores formam cordão humano em Évora

Objectivo: exigir "mudança de rumo" do Governo
Mais de cem trabalhadores marcharam hoje em Évora, formando um cordão humano, entre uma praça do centro histórico da cidade e o Governo Civil, onde entregaram uma resolução a exigir uma mudança de rumo nas políticas do Governo.

“Consideramos essencial o emprego e a criação de novos posto de trabalho para a região”, afirmou o coordenador da União de Sindicatos do Distrito de Évora (USDE/CGTP), Ricardo Galhardo, depois de uma audiência com a governadora Civil de Évora, Fernanda Ramos.

A reunião seguiu-se à concentração e desfile dos trabalhadores pelas ruas do centro histórico de Évora, numa iniciativa inserida na semana de luta da CGTP/In, para mostrar a indignação e o protesto dos trabalhadores com as medidas do Governo.

Debaixo de chuva, os trabalhadores entoaram palavras de ordem como: “Trabalho sim, desemprego não”, “os cintos a apertar e os lucros a aumentar” e “desemprego em Portugal é vergonha nacional”.

Referindo-se ao Programa Estratégico do Sistema Regional de Transferência de Tecnologia (SRTT) - o protocolo de financiamento foi assinado quarta-feira -, que integra a criação em Évora do Parque de Ciência e Tecnologia do Alentejo, o sindicalista considerou o projeto como “um bom incentivo”.

“Agora, esperemos que haja algumas empresas de valor acrescentado que possam vir a situar-se em Évora para fazer o aproveitamento do dinheiro [fundos comunitários] e que tragam emprego para a região”, afirmou.

Contudo, Ricardo Galhardo disse esperar que os empregos a criar, através deste projeto, “não sejam daqueles tão tecnológicos que tenham de trazer massa crítica de fora do Alentejo e que venham instalar-se aqui com o único intuito de aproveitar estes dinheiros”.

O dirigente sindical apontou ainda a agricultura, que absorve “apenas três por cento da população ativa” do Alentejo, como uma das alternativas para a criação de emprego na região.

Só que, frisou, o setor “não tem sido bem aproveitado”, com exceção das áreas da vinha e do olival.

“O Alentejo sem agricultura não é Alentejo. Há a necessidade de aumentar o número de pessoas a trabalhar na agricultura”, defendeu.

Ricardo Galhardo criticou ainda a proposta do Governo de redução das indemnizações por despedimento, qualificando-a como a política do “despedir barato”, e os cortes salariais na função pública, contrapondo que “era possível outra política para cortar na despesa” do Estado.
(Lusa)
publicado por barak às 20:08
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