Quarta-feira, 3 de Novembro de 2010

Pai entrou armado com uma faca no hospital de Évora e levou filho recém-nascido

Um homem armado com uma faca e acompanhado por quatro indivíduos entrou ontem à tarde no hospital de Évora e, depois de ludibriar a segurança, subtraiu o filho recém-nascido ao hospital, com receio que este fosse entregue à Segurança Social.

O PÚBLICO sabe que a família estava sinalizada, embora o hospital garanta não ter tido conhecimento dessa situação. A PSP foi chamada ao local, mas nada pôde fazer, afirmando não se tratar de um rapto, uma vez que o bebé tinha saído do hospital com o progenitor. Um procurador de Montemor-o-Novo já está ao corrente do caso, uma vez que a família, de etnia cigana, reside em Vendas Novas, no distrito de Évora.

O episódio agitou a tarde no Hospital do Espírito Santo, depois de a mãe do bebé ter sido informada que a criança poderia ficar à guarda de uma assistente social. O director do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia, Vítor Caeiro, contou ao PÚBLICO que a parturiente tinha sido visitada de manhã por uma assistente "que lhe terá falado de um internamento mais prolongado para se observar o bebé". A mulher "entendeu que o filho poderia ser levado". De imediato ligou ao marido que, depois de chegar ao quarto, cortou a pulseira electrónica, "atirando-a pela janela", o que accionou o alarme e levou ao encerramento da porta automática. "Tudo funcionou devidamente", garante o mesmo responsável. Só que mesmo assim o homem teve tempo para "sair com o bebé ao colo", cruzando-se com um segurança "que não desconfiou de nada". Quando este se apercebeu já era tarde e os quatro homens, que também estariam armados com facas, ameaçaram quem tentou interferir.

Vítor Caeiro sustenta que é frequente as parturientes ciganas saírem antes do tempo de internamento aconselhado, "tendo o mesmo acontecido agora, sem que tivesse sido assinado um termo de responsabilidade". A mulher deixou o hospital pouco depois de pai e filho terem desaparecido.

A família já tinha sido sinalizada pela Segurança Social noutras gravidezes e as crianças foram retiradas e adoptadas. Desta vez, garante o hospital, "ninguém recebeu essa informação". Fonte da Segurança Social disse ao PÚBLICO que este recém-nascido deveria ser retirado aos pais, sinalizados "por actos de negligência continuada". O comandante Raul Glória Dias, esclareceu que a PSP foi chamada ao local, "mas nada pôde fazer": "No princípio ainda se pensou num rapto, mas tal não se verificou por se tratar de um progenitor que levou o filho.". O hospital vai abrir um inquérito.

publicado por barak às 14:32
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