Os utilizadores diários do Intercidades da linha ferroviária do Alentejo vão envergar, a partir de segunda feira e durante uma semana, uma t-shirt preta como forma de protesto contra a suspensão temporária da circulação de comboios na zona.
A circulação ferroviária na Linha do Alentejo, Vendas Novas e Évora, no troço Bombel e Vidigal a Évora, vai ser suspensa a partir do próximo mês de maio, com a duração de um ano, devido à segunda fase das obras de modernização da estrutura, anunciou a Refer no final do ano passado.
A obra prevê a eletrificação do troço Bombel e Vidigal a Évora, renovação das vias, beneficiação de estações e construção de passagens desniveladas, num investimento de 48,4 milhões de euros.
O porta-voz do Comissão de Utentes dos Comboios Intercidades da Linha do Alentejo, João Fialho, explicou hoje que os passageiros do serviço diário vão vestir uma t-shirt preta com o logótipo da CP e a mensagem "Próxima paragem: estragar a sua vida".
Com o protesto, a comissão "pretende evitar o encerramento temporário da linha do Alentejo, porque afeta muita gente e não há, por parte da CP, aquilo que se possa chamar um transporte alternativo", afirmou o responsável.
"Os transportes alternativos não cumprem os mesmos horários que o comboio", garantiu João Fialho, explicando que "o autocarro chega à Gare do Oriente por volta das 10:00 da manhã, enquanto que o comboio chega à Estação de Sete Rios às 08:20".
O porta-voz da comissão de utentes lamentou ainda a ausência de informação por parte da CP e da Refer, que ainda não divulgaram "uma informação realista sobre a duração e intenção das obras".
Por outro lado, João Fialho defendeu que "as obras podiam ser feitas sem a interrupção da circulação", dando como exemplo a linha ferroviária do Norte e da Beira Baixa, "onde foram feitas obras sem que a linha tivesse sido interrompida".
"O tráfego na linha do Alentejo é de cinco comboios diários. Não é assim tão intenso quanto isso", considerou.
Lembrando que a Linha do Alentejo foi reaberta há cerca de três anos, depois de obras de beneficiação, João Fialho adiantou que a comissão de utentes daquela linha lançou também uma petição na Internet, que pretende reunir 4 000 assinaturas, para ser entregue na Assembleia da República.
"A Assembleia da República é o único órgão que, se tomar uma decisão favorável às nossas pretensões, consegue revogar a decisão da Refer", explicou, revelando que a petição, no endereço www.petitiononline.com/flexi001/petition.h